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 Exmo Sr.

Dr. ..............................

MD. Secretário de Estado da Saúde Boa Vista - RR.

Sr. Secretário,

Quando do acidente radioativo de Goiânia, foi noticiado que, o mesmo teria acontecido em um aparelho de Raios X, e com base nessas notícias, comecei a questionar alguns itens. O primeiro deles, me causou embaraço, pois, sempre soube que, o que manipulávamos, era o bombardeio de elétrons em alta voltagem e não matéria radioativa. E com o esclarecimento do assunto, veio também informações dos efeitos com as doses utilizadas em radiologia diagnóstica, que mesmo sendo inferiores, tinham o mesmo risco.

Este esclarecimento súbito, me obrigou a freqüentar várias bibliotecas, inclusive, algumas universitárias na busca de maiores esclarecimento. E ao Comprovar na realidade os danos provocados por baixas doses com radiação Gama e X em várias publicações científicas, fui tomado pela necessidade de conhecer mais sobre minha profissão e formas de trabalhar com menores riscos, e, como não consegui livros que me informasse como reduzir as doses de radiação utilizadas, passei a consultar industrias de produtos para radiologia, institutos de pesquisa, universidades, freqüentar todos os cursos que tive meios de participar e a solicitar todas as apostilas de onde não pudesse ter ido. E, devido a não encontrar sintetizado as técnicas para redução de doses de radiação, comecei a pesquisar formas de reduzir e utilizar menores doses, reconhecendo que, estas, sempre estavam ligadas com algum controle. E não tendo recursos para montar um laboratório, em 1991 me propus a fazer uma pesquisa no maior número possível de departamentos, anotando: Materiais de consumo, acessórios, aparelhos, rede elétrica, instalações, técnicas e resultados. Esta pesquisa, me trouxe além dos conhecimentos procurados, o fato da falta de controle nas unidades radiológicas, e o mais grave, a total falta de conhecimento dos profissionais e até responsáveis por departamento, dos reais riscos de baixas doses e meios de radioproteção proporcionando a utilização indiscriminada da radiação com quase inexistente medidas de proteção radiológica.

Ao questionar este fato, tomei a decisão de reunir alguns dados e publicá-los, como forma de concientizar estes profissionais dos riscos que corriam e expunham seus pacientes (Nós e As Radiações, 1995). Também em 1995, reunindo minhas anotações, digitei o Pré-Resumo de pesquisa de Controle de Qualidade de Imagens e Doses de Radiação em Radiodiagnóstico à publicar (Nós e as Radiações III). Já em Boa Vista - RR, tive a solicitação do Exmo Sr. Deputado Francisco de Souza Cruz (Técnico em Radiologia), de um estudo sobre a profissão. já entregue um resumo de assunto a ser publicado (Nós e as Radiações II).

Procurando dar minha contribuição em controle de qualidade de imagens e doses de radiação em radiologia diagnóstica convencional, venho prestando nos últimos anos, serviços de Assessoria e consultoria em radioproteção básica e qualidade de imagens e doses de radiação nos interiores do País. Mas com este serviço, tenho consciência de poder ajudar muito pequeno número de serviços e pessoas expostas, portanto, sendo o motivo de minha luta para montar um laboratório, pois, neste, poderia padronizar técnicas e publicá-las nos meios científicos, bem como, iniciar um estudo de todos os acessórios e materiais de consumo em radiologia, publicando os resultados. E quem se beneficiaria, seria todo o País, inclusive, o sistema de saúde estatal, pois, saberiam exatamente o que estavam comprando, sem o ônus da pesquisa. Sendo que, onde for montado o laboratório, é minha pretensão, montar um projeto piloto de garantia de qualidade com o menor índice de investimento financeiro possível para todo o estado, avaliando o aproveitamento e publicando os resultados, pois, para controlar-mos esta área, o maior investimento será com formação básica dos profissionais.

Conforme discussão do assunto quando de Vossa concessão de audiência dia 10/12/96 com participação do Sr. Subsecretário de Saúde e Diretor Administrativo do HGR, fiz alguns estudos, e, analisando meus objetivos, Vossas inquietações, as necessidades locais e, concluindo que, mesmo não fazendo o trabalho da forma proposta e com a estrutura desejada como: apoio da Universidade e centro de pesquisa da Fundacentro, e, portanto não sendo possível para o momento uma pesquisa aplicada de mais alto nível, mas, reconhecendo as vantagens que traria um controle de qualidade básico para o Estado e meus objetivos, e, considerando a Solicitação do Sr. Subsecretário e sugestão do Sr. Diretor Administrativo do Hospital Geral de Roraima, Faço a seguinte proposta:

Anteprojeto de Programa de Garantia de Controle de Qualidade de Serviços, Imagens e Doses de Radiação em Radiologia Diagnóstica.

Este Programa tem a finalidade de buscar o controle de qualidade em radiologia diagnóstica com adoção de investimentos básicos necessários em material, fundamentação dos conhecimentos técnicos operacionais e implementação de uma rotina metodológica a ser ministrado a todos os Técnicos em Radiologia do Estado de Roraima.

MATERIAL E MÉTODOS

1 Padronização de Chassis, Ecrans, Filmes, e Químicos;

2 Utilização sistemática do Espessômetro;

3 Registro de técnicas empregadas;

4 Identificação da constante de cada aparelho;

5 Adoção de livro de registro de ocorrências;

6 Identificação de atividades de Técnico em Radiologia e Auxiliares;

7 Treinamento específico para cada atividade como: Técnico em Radiologia, Câmara Clara e Câmara Escura;

8 Formação de equipes por turno e sala de trabalho;

9 Formação de 2 grupos de estudos;

Grupo de Estudo:

Uma reunião semanal com cada grupo, fornecendo antecipadamente material sobre o assunto discutido.

Inicialmente procurando enfatizar as responsabilidades e chamar a atenção para o estudo e seus resultados, deverá ser discutido:

Código de Ética;

Efeitos Radiobiológicos da Irradiação;

Introdução à Genética;

Efeitos Genéticos da Irradiação;

Aberrações Cromossômicas em Pessoas Irradiadas;

Legislação Específica;

Constituição Federal;

Metodologia Científica.

Posteriormente, iniciando com análise de:

Acessórios e Material de Consumo;

Câmara escura e revelação/Qualidade;

Vantagens da Revelação Manual e Automática;

Física das Radiações;

Técnicas de alta energia;

Noções de eletricidade e aparelhos;

Instalação de aparelho;

disposição de aparelho na Sala;

Operação de Aparelhos;

Radioproteção Básica;

Planos de Radioproteção em Radiodiagnóstico;

Anatomia;

Posicionamentos Radiográficos.

As reuniões deverão ter duração de 2 horas semanais:

Iniciando a programação, deverá ser distribuído o material disponível sobre o assunto tratado, seguido de exposição sobre o assunto com um máximo de 1/3 do período;

Prosseguindo a discussão entre os participantes do assunto, por mais 1/3 do período;

finalizando com discussão dos problemas encontrados no dia a dia do trabalho, buscando encontrar as devidas soluções ou esclarecimentos de dúvida (previamente inscrito na ordem do dia).

Visando uma melhor dinamização dos serviços e até a implantação da Garantia de Controle de Qualidade, deverá:

ser instituído um supervisor Técnico em Radiologia em todas as Instituições prestadoras de serviços radiológico;

Em Instituições que tenham mais de uma sala, cada técnico em serviço será responsável pela sala durante seu horário de trabalho (sempre a mesma);

Cada sala deverá ter sua ou suas equipes de trabalho, formado por Técnico em Radiologia, Auxiliar Câmara Clara e quando possível, Câmara escura para cada horário, de forma, a se organizarem armonicamente deixando que o serviço flua com qualidade e mais rapidamente;

Considerando que, do conhecimento e prática resulta a qualidade, deverão todos os profissionais fazerem sua carga horária semanal, de forma a cumprir de 2ª a 6ª Feira, ficando os plantões de 12 horas, para serem tirados somente a partir das 7 ou 8 horas da noite e fins de semana, pelo mesmo pessoal que cumprem o horário do dia e estão acostumados com o aparelho diariamente.

O Cronograma de assunto no entanto, deverá ser aberto, visando o pleno aproveitamento de toda a turma, e, sendo as matérias colocadas de acordo com as necessidades do Momento, para soluções práticas.

Este programa deverá ser executado em um período de 12 meses, sendo participantes natos e obrigatórios, todos os Técnicos em Radiologia do Estado, e Auxiliares quando o assunto for diretamente ligado a sua função.

 

No Aguardo de Vossa Análise, e, reiterando votos de alto apreço e fundamentada consideração,

Atenciosamente,

Rezende, Aliberino Ferreira

Téc. Radiologia Médica

CRTR. 9ª Região 227 e 1ª Região 861

 

Boa Vista - RR, 14 de Dezembro de 1996

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