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Fonte: O Popular/Especiais - Goiânia - Go.
Medo ainda ronda Goiânia
Rosane Rodrigues da Cunha
As seqüelas deixadas pelo césio 137 não estão apenas nos corpos das vítimas diretas do acidente, que tiveram membros amputados, a pele marcada e a saúde afetada pelo contato com o elemento químico. Passados dez anos do desastre radiológico, boa parte dos goianienses não somente guarda tristes lembranças do episódio como sofre com medo dos efeitos do césio 137. Uma pesquisa realizada entre os dias 19 e 22, das 9 às 21 horas, pela empresa TMK para o jornal O POPULAR revela que 53,6% dos 1,5 mil entrevistados acreditam na possibilidade de que o acidente ainda possa causar algum tipo de risco à população da capital.
Vítimas
Para 42,9% das pessoas questionadas esse risco não existe e 3,5% dos entrevistados não opinaram sobre o assunto. Os pesquisadores abordaram por telefone homens e mulheres maiores de 21 anos, residentes em diversas regiões da cidade. Entre os tinham de 11 a 15 anos de idade na época do desastre, foram feitas 294 entrevistas, que revelaram que 53,1% deles acreditam em riscos do césio 137 e 38,8% não têm qualquer receio quanto a possíveis efeitos tardios do acidente. Vinte e quatro entrevistados - 8,2% do total - não opinaram.
Dos 526 entrevistados com idades entre 26 e 35 anos, 55,1% não esconderam ainda temer os riscos do césio 137. Para 44,9% deles esse risco não existe. Entre os pesquisados na faixa dos 36 aos 50 anos, as opiniões são similares às dos entrevistados em outros grupos: 55,8% temem riscos da radiação, 39,6% não acreditam nessa ameaça e 4,6% não opinaram. Mas, enquanto os mais jovens se preocupam com os efeitos a longo prazo da contaminação, os maiores de 50 anos estão mais tranqüilos quanto a esses riscos. Dos 200 entrevistados nessa faixa de idade, 52% disseram não acreditar na possibilidade de o césio 137 ainda ameaçar a população, 45% acreditam nesse risco e 3% nada declararam.
Para o especialista em medicina nuclear, Alexandre de Oliveira, essa preocupação da sociedade revelada pela pesquisa não se justifica. "O acidente fez muitas vítimas e não deve fazer novas vítimas emocionais", declara o chefe da assessoria de saúde, segurança e meio ambiente das Indústrias Nucleares do Brasil. Ele garante que não há possibilidade de outras pessoas, além das que tiveram contato direto com o césio 137 em setembro de 1987, sofrerem qualquer doença ou outros efeitos provocados pelo elemento radioativo.
Um símbolo desconhecido
Mais da metade dos entrevistados maiores de 36 anos não consegue identificar o símbolo, que revela a existência de materiais radioativos. A logomarca, uma espécie de três triângulos dispostos em torno de um círculo, é usada em todo o mundo e durante e após o acidente com o césio 137 podia ser vista em tambores, em áreas afetadas pela radiação e em equipamentos empregados pelos técnicos que trabalhavam na descontaminação da cidade. Uma década depois, o símbolo parece ter sido esquecido.
Dos 480 entrevistados pela TMK com idades entre 36 e 50 anos, 52,1% desconhecem o símbolo. Entre os maiores de 50 anos, o sinal é ignorado por 52% dos pesquisados. A situação muda entre os mais jovens. Um total de 53,1% dos entrevistados na faixa etária de 21 a 25 e 52,1% com idades entre 26 e 35 anos identifica visualmente o símbolo universal dos elementos radioativos.
Palestras
Alfredo Tranjan, técnico da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) responsável pelo depósito dos rejeitos do acidente com o césio 137, explica que o desconhecimento constatado pela pesquisa acontece em todo o País. Mas, ele não nega que esperava que em Goiânia fosse diferente, pois a população já teve contatos com a logomarca. Para tentar popularizar o símbolo, que em qualquer lugar do mundo indica a presença de material radioativo, segundo Tranjan, a CNEN vem promovendo palestras para estudantes, profissionais de saúde e de outras áreas.
Parte dos entrevistados pode ter se esquecido da logomarca da radioatividade, mas do acidente a maioria se lembra, mesmo não sabendo citar os motivos do desastre radiológico. Dos 1,5 mil entrevistados, 76,8% garantiram se lembrar dos motivos do acidente, 13,6% afirmaram ter alguma lembrança e 8,3% declararam não recordar o que desencadeou a tragédia com o césio 137. Apenas 1,3% dos abordados não opinaram.
Metodologia da pesquisa
Os pesquisadores da empresa TMK fizeram 2.948 ligações telefônicas para diferentes regiões da cidade. Os números telefônicos foram sorteados aleatoriamente e as chamadas identificadas como comerciais foram excluídas. Em cada residência, foi entrevistada apenas uma pessoa maior de 21 anos. Ao todo, 1.552 goianienses atenderam às ligações e 1,5 mil concordaram em responder o questionário. Novecentos e oitenta e quatro chamadas não foram atendidas, 336 números discados estavam ocupados e 76 não existiam.
Aos entrevistados foram formuladas três perguntas objetivas sobre o acidente com o césio 137. Os pesquisadores questionaram se eles se recordam dos motivos do acidente, se acreditam na possibilidade de o desastre ainda causar riscos à população e se são capazes de identificar o símbolo de elementos radioativos. Foram entrevistados moradores dos bairros Parque Amendoeiras, Vila Pedroso, Recanto Minas Gerais, Conjunto Riviera, Aruanã III, Jardim Novo Mundo, Vila Boa, Parque Anhanguera, Parque Santa Rita, Novo Horizonte, Celina Park e Conjunto Vera Cruz I.
Também foram feitas entrevistas no Setor Coimbra, Balneário Meia Ponte, Campinas, Criméia Leste, Vila Nova, Universitário, Vila Osvaldo Rosa, Vila Yate, Setor Jaó, Vila Caiçara, Conjunto Itatiaia I, Jardim Guanabara I e II, Setor Meia Ponte, jardins Pompéia e América, Parque Amazonas, Setor Serrinha e Nova Suíça. E ainda nos setores Alto da Glória, Parque Atheneu, Vila Redenção, Jardim Esmeraldas, Marista, Bela Vista, Vila Legionárias, Pedro Ludovico, Morada Nova, Parque João Braz, Cidade Jardim, Bairro Goyá e Parque Aritana.
Moradores do Bairro São Francisco, Jardim Liberdade, Curitiba I, Nova Esperança, Capuava, Finsocial, Vila São Francisco, Vila São José, Aeroviários, Vila Cristina, Rodoviários, Santo Hilário, Centro, Oeste, Bairro popular, Aeroporto, Sul, Norte Ferroviário, Capim Puba, Vila São Paulo, Jardim Diamantino, Urias Magalhães, Setor Progresso, Vila Santa Helena, Centro-Oeste e Vila Abajá também foram abordados. As áreas pesquisadas foram assim divididas: 25,4% setores centrais, 39,3% bairros intermediários e 35,3% periferia.
Uma dor que não cicatriza
Terezinha Nunes Fabiano
Passaram-se dez anos de um pesadelo constante que, no dia-a-dia de cada um, ficou como um animal faminto, na espreita da presa, prestes a dar seu bote fatal. São dias contados e, na acepção da palavra, bem vividos como se fossem os últimos. Às vezes muito sofridos e às vezes mais pontuados por fatos que esporadicamente acontecem, trazendo uma pausa para tanto sofrimento.
Esquecer, impossível quando tantas famílias choram seu ser amado, que se foi por uma causa semjustificativa. E quantos ainda estão nos obrigando à amarga lembrança com suas mutilações ou feridas expostas sem esperança de perfeita cicatrização, sem contar as feridas que jamais cicatrizarão, que são aquelas da alma, da memória, cujo terror dos acontecimentos, estão marcados em cada um daqueles que vivem dessa tragédia tão nefasta. Sem esquecer as vezes que vivíamos sendo o alvo da discriminação e da subumanização a que fomos condenados, além de suportar o peso da diadema de tão triste sucesso.
Alguém há de dizer, ou se não pensam: "Por que foram mexer em algo que não era de sua conta?" É verdade, só que as vítimas são vítimas e não culpadas, pois a pequena Leide, a primeira que deu sua vida em conseqüência da inocência, lá não esteve; não ajudou na abertura da cápsula e foi a primeira a pagar com o mais alto dos preços, sua vida. Talvez pelos erros, a começar das autoridades, que deixaram a cápsula abandonada sem nenhuma segurança, uma verdadeira bomba, mesmo conhecedores do imenso perigo que era se ela fosse parar em mãos de leigos, como foi o caso. As demais vítimas, mais vítimas de sua própria ignorância, sofrem também os resultados do que a elas foi conferido.
Quantas pessoas mais se integraram ao rol das vítimas e foram obrigadas a se postarem diante da situação diuturnamente, sem sequer estarem preparadas para tal e hoje estendem as mãos, num doloroso grito de socorro que, se um dia chegar, poderá ser tarde demais. As revisões médicas estão sendo realizadas num tom de "se passaram dez anos". É de agora para frente que se espera o resultado amargo, que nos assombra, e que, como aquele animal sobre o qual me referi no início deste artigo, poderá dar seu bote fatal. Se assim não for, continuaremos por mais quantos "dez anos"?.
"Há pelo menos a possibilidade de ocorrer uma tragédia humana de proporções universais, se as nossas práticas presentes continuarem sem restrições. O que precisaremos, como prova da própria catástrofe, para começarmos a agir?", disse Goran Lufroth. Esse é o retrato sintético de um doloroso acontecimento, que relatado em seus mínimos detalhes seria assunto para uma biblioteca.
Terezinha Nunes Fabiano é ex-presidente da Associação das Vítimas do Acidente com o Césio 137
Acidente radiológico, duas lágrimas... e lições
José de Julio Rozental
Às 15 horas do dia 29 de setembro de 1987, tomamos conhecimento através do então secretário de Saúde de Goiás, deputado federal Antônio Faleiros, que Goiânia apresentava indícios de uma contaminação radioativa e que a CNEN deveria tomar medidas para uma efetiva avaliação da situação. A informação foi imediatamente levada ao conhecimento da presidência e da diretoria executiva da CNEN. Decidiu-se por minha ida imediata a Goiânia, para verificar a situação e coordenar atividades e medidas que o caso impunha, com base nas informações obtidas por telefone. Éramos três da CNEN e chegamos a Goiânia aos 30 minutos do dia 30 de setembro. A cidade dormia.
O físico Walter Mendes, que deu suporte inicial à Secretaria de Saúde, estava me esperando na antiga clínica do Instituto Goiano de Radiologia. Solicitei que ele me colocasse a par da situação e que me levasse a todos os lugares que já apresentavam índices elevados de radiação. Confirmei que em diversas áreas os índices de radiação estavam muito acima dos limites para o público e que níveis de intervenção deveriam ser adotados. Isto significava que o Plano de Emergência Radiológica da CNEN e outros órgãos, como Defesa Civil, deveriam ser imediatamente acionados. Como parte do plano teríamos de, ainda naquela madrugada, planejar medidas de isolamento e evacuação de determinadas áreas, a serem implementadas logo ao amanhecer.
Decidi aproveitar a tranqüilidade da noite e o silêncio da madrugada para agilizar o sistema de emergência e correr contra o relógio nas decisões que julguei por bem adotar. Pedi ao comando da PM para encontrar-se imediatamente comigo no Estádio Olímpico, no que fui ajudado pelo coronel Nelito Brandão, chefe do Gabinete Militar do governo Henrique Santillo. Fui ao Estádio Olímpico às 2h30 para ver as pessoas acomodadas. Constatei a presença de adultos e crianças sem as condições desejáveis de higiene, só com a roupa do corpo. Juntos, nas barracas improvisadas, humildes. Seus rostos ansiosos, quando nos viram, refletiam sinais de angústia e medo. Psicologicamente, sentiam-se enjaulados pelo alambrado do Estádio Olímpico. Muitos deles apresentavam elevados índices de contaminação. A primeira lágrima, amarga, rolou-me dos olhos... Fomos ao Hospital de Doenças Tropicais tomar conhecimento dos que já estavam internados. Nova e terrível constatação de contaminação.
3h30, a luta contra o tempo. O chamado das equipes em plena madrugada: médicos, proteção radiológica, descontaminação, controle ambiental, rejeito radioativo. Teriam de vir urgente, no primeiro avião, trazendo medicamentos, instrumentos, equipamentos, acessórios, vestimentas adequadas... Veio também a ordem para eu assumir a coordenação geral, definir prioridades em nome da CNEN e não sair mais de Goiânia.
5 horas, primeiro esquema montado com o coronel Nelito Barbosa para isolamento e controle das áreas. O sol já emitia os primeiros raios. Começamos nossa peregrinação pelas áreas contaminadas. Era preciso dialogar com as pessoas que seriam evacuadas, verificar se apresentavam indícios de contaminação ou se foram expostas à radiação. Vimos já pessoas aglomeradas junto às cordas de isolamento provisório, a notícia já começava a se espalhar. Diziam: "A situação não é boa, o governo mandou alguém" (eles nem sabiam o que era CNEN). Seus gestos eram aflitos, a maioria mães, todas falando ao mesmo tempo. Fiz uma prece muda e rápida: "Deus, dai-nos sabedoria para nossos atos e palavras, precisamos estar calmos e seguros e, sobretudo, inspirar confiança. Há muito estamos preparados para essa possibilidade".
A manhã do dia 30 transcorria agitada. Procurávamos dar soluções a diferentes situações. A imprensa já sabia de nossa presença e corria atrás de mim para conhecimento do que estava ocorrendo. Com a aproximação da tarde, chegaram os primeiros companheiros para a longa jornada do porvir.
As pessoas que estavam no Estádio Olímpico e no Hospital de Doenças Tropicais tomaram banho, sob nossa orientação. Suas roupas, primeiras peças de rejeito, foram trocadas. Algumas foram preparadas para viajar de imediato ao Rio de Janeiro, para tratamento no Hospital Naval Marcílio Dias. Também sob nossa orientação, puderam finalmente comer os alimentos mais indicados. Nesta tarde decidi cimentar o miolo da unidade que estava na Vigilância Sanitária do Estado, que apresentava alto índice de exposição na cercania, e, com isso, evitar a evacuação das residências vizinhas. Os secretários de Estado de Goiás - Faleiros, da Saúde, e Geraldo Félix, dos Transportes - davam o máximo apoio. A noite estava alta quando fizemos a primeira reunião para formação das equipes que atuariam, escolha dos coordenadores de áreas, determinar as linhas de ação que deveriam seguir e os procedimentos de trabalho a que estariam sujeitos.
Eram 4 horas da madrugada de 1º de outubro quando fui para a cama pela primeira vez desde que chegara a Goiânia, cerca de 36 horas antes. Após 15 minutos, enfiei-me numa ducha, a mais fria possível, e comecei debaixo d’água a arquitetar os passos seguintes da coordenação geral dos trabalhos, que tinham o Carlos Eduardo Veloso de Almeida, então diretor do Instituto de Radioproteção e Dosimetria da CNEN, como segundo coordenador-geral. Dezoito colegas de trabalho já estavam em Goiânia para o início dos trabalhos em 1º de outubro. Todos queriam informações: população, governo, Legislativo, imprensa. A multidão, como formigueiro, fluía ao Estádio Olímpico. Contaminação, impregnação, exposição e irradiação foram as palavras mais citadas. Câncer foi a expressão mais alarmista. Informações deturpadas e imprecisas tumultuavam os acontecimentos. Criou-se uma tensão emocional e iniciou-se um processo discriminatório injustificável.
Neste conflito, trabalhávamos. Águas e solos foram coletados para amostragem, os médicos atendiam no estádio e no hospital, novos levantamentos radiométricos indicavam os locais para isolamento e controle. Terminou o segundo dia. Nova reunião noite adentro para avaliação e já tínhamos idéia do alcance do acidente. Preparamos uma nota para a imprensa, a qual foi lida na entrevista coletiva logo cedo no dia 2 de outubro, dando todo o histórico e as áreas sob rígido controle. Fui novamente, alta madrugada, para minha ducha fria. Ela tornou-se minha companheira e confidente nos dias que se seguiram.
Somos técnicos, alguns com elevado conceito no Brasil e exterior. Somos também família, amantes da vida e de nosso próximo. Queremos um Brasil forte, soberano, onde impere a justiça e a paz social. Esperança e fé sempre nos acompanharam em Goiânia, e as transmitimos a todos que se sentiam desamparados ou aos que apenas queriam ouvir nossa voz. Nunca modificamos nossa conduta. Estivemos presente em todos os lugares de risco, desempenhando todas as atividades com o peito aberto, apesar das pressões e deturpações.
De incompetência e imperícia nos acusaram, entre outras críticas. Tantos falaram contra a discriminação, mas poucos apareceram onde ela estava. Lutamos contra os descrentes de toda ordem. Alguns torciam para que fracassássemos, pois isso ajudaria a acabar com o Programa Nuclear do Brasil. Nossas forças, unidas, com humildade, coragem e crença demonstraram nossa capacidade.
Três meses nos dedicamos à descontaminação da cidade, até o dia 21 de dezembro de 1987, quando o presidente da CNEN, Rex Nazaré Alves, determinou que esta etapa estava finda e que poderíamos regressar. No aeroporto, neste dia, indo para casa rever a família após longa jornada, a segunda lágrima caiu-me dos olhos...
Os acidentes de Chernobyl e de Goiânia representam os dois máximos eventos na escala dos acidentes, nuclear e radiológico, respectivamente. Hoje, em todo o mundo, eles servem como laboratório de aprendizado, para evitar casos de recorrência e medidas corretivas para mitigar as conseqüências. Dez anos se passaram em ambos os casos e suas lições até hoje não foram totalmente discutidas e aprendidas.
No que se refere a Goiânia, especificamente, a Agência Internacional de Energia Atômica e a Organização Pan-Americana e Mundial da Saúde devem adotar medidas para que inúmeras nações em desenvolvimento, muitas sem boa infra-estrutura, adquiram condições mínimas para implementarem planos de emergência radiológica. Os cursos de treinamento com exercícios devem ser mais realistas, de acordo com o uso de materiais radioativos nesses países. As seguintes lições aprendidas emergem como as mais significativas, revendo os acidentes ocorridos desde Goiânia até a presente data:
1 - Acidentes implausíveis podem acontecer, mesmo quando menos esperados, como o de Juárez, no México, e Goiânia, no Brasil;
2 - Acidentes pegam os países de surpresa, como nos casos de Juárez, Goiânia e Chernobyl;
3 - Planos de Emergência e sua implantação estão ainda em estágio incipiente na grande maioria dos países em desenvolvimento, sem programa de reatores de potência, mas com uso relativo ou extensivo de fontes radioativas. A Agência Internacional de Energia Atômica deve agir para que os cursos de treinamento sejam mais objetivos e que os exercícios sejam mais realistas;
4 - O mal causado pela falta de percepção a respeito de riscos foi extremamente danoso às pessoas e à economia de Goiás. Em Chernobyl, a dimensão foi elevada. É fundamental que pessoas sejam treinadas para transmitirem comunicações de forma competente e adequada a cada tipo de audiência. A Agência Internacional de Energia Atômica tem um papel de alta relevância para o sucesso desse empreendimento.
José de Julio Rozental, físico nuclear e consultor internacional na área de proteção radiológica, segurança e regulamentação de usos de fontes de materiais radioativos, era diretor do Departamento de Instalações e Materiais Nucleares da CNEN na época do acidente com o césio 137.
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