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 Casos de Irradiados Terapêuticos e Diagnósticos

(02)

- Mensagem Original -

 

Caro Rezende,

Sou profissional da area de saúde e gostaria de parabenizá-lo pela sua pagina ao qual pude conhecer o seu trabalho.

Recebo algumas perguntas de pacientes grávidas em relação ao RX fazer ou não mal a formacão da criança que vai nascer.

Pergunta:

1- Em que fase da gestação você indica a tomada da radiografica ?

2- Existe na literatura trabalhos sobre a questão? Pode me fornecer ?

3- A pequena quantidade de RX emitida pode causar algum dano ?

Obs.: Estou levando em conta a necessidade da paciente fazer o RX ( radiografias extra e intra bucais )

Sem mais agradeço a oportunidade,

Roque

___________________________________Resposta_________________________________

R-1. Toda radiação é potencialmente perigosa. Valendo para tanto, ser aplicado o Princípio ALARA, de, só submeter a radiação, após uma análise criteriosa do custo benefício. Com relação a fazer mal ao feto, devemos analisar em primeira instância que a radiação tem o poder de quebras cromossômicas. Em Segunda instância, durante a gestação as células do feto, (que na verdade também e uma célula em transformação) pode ter alguns cromossomos quebrados gerando alguma deficiência imediata, ou que poderá aparecer tardiamente (ver Nós e as Radiações nesta página em Trabalhos Apresentados).

R-2 . Considerando a resposta anterior, principalmente durante o 1º trimestre, deve ser evitado todo e qualquer tipo de radiação, pois, durante este período, existe as maiores taxas de transformações celulares e portanto, maiores ainda, são os riscos de mutações cromossômicas que, poderam ocorrer afetando o desenvolvimento do feto ou do futuro ser humano gerado. Portanto, uma fase indicada não existe, mas, conhecemos o desenvolvimento do feto, e, sabemos a fase em que os riscos são críticos.

R-3 . Especificamente sobre a questão, não é de meu conhecimento, mas, por analogia, podemos fazer algumas inferências. O trabalho supra citado, foi concebido para leigos discutindo o que é a radiação, como ela interage com a matéria e quais são os efeitos. Por analogia, pode se chegar a algumas conclusões sobre o assunto em pauta.

R-4 . Uma exposição com aparelhos antigos (10 mA/60 kV) que se expunha o paciente a 0.8 a 1 segundo a uma distância aproximada de 20cm da distancia foco pele, irradiava o paciente com aproximadamente 75mR mAs, e neste caso com 8 a 10 mAs, o paciente estaria recebendo uma média de *750 mR na pele. Com relação aos aparelhos novos de 8 mA/70kV, e uma exposição média de 0,2 a 0,3 segundos e uma distância foco pele de 20cm, o paciente receberá aproximadamente 105mR mAs de exposição na pele, e, considerando os 1.6 a 2.4 mAs, este estará recebendo uma média de *210mR na pele.
Quanto aos danos, é muito relativo, o timo e a tiróide do paciente, são os mais afetados devido as proximidades da exposição. No entanto, com a nova legislação e a obrigatoriedade da utilização dos coletes para tórax e pescoço, este risco estará sensivelmente reduzido desde que estes acessórios utilizados, tenham equivalência mínima de 2mm de PB (chumbo). E caso seja necessário a realização de exames em mulheres que estejam principalmente na faixa de risco e homens em qualquer época (nos homens a reserva de material genético hereditário, fica muitas vezes mais exposta que a das mulheres), os órgãos de reprodução deveram estar protegidos por Coletes com espessura mínima de 2.0 mm de Pb.

* Se o aparelho tiver filtro equivalente a 2.0 mm de alumínio, pois em contrário, poderá estar recebendo até 300% a mais de radiação que o necessário e sem nenhuma contribuição para o resultado do exame objeto da imagem.

Nota: Considerando a necessidade da realização do exame mesmo durante a gravidez, passo a sugerir algumas medidas de radioproteção básica.

1 - Sempre utilizar todos os acessórios recomendados pela legislação e pela consciência de uma eficiente prestação de serviço de radioproteção.

2 - Utilizar sempre aparelhos que possua cone de 18 a 20 cm com abertura máxima de 60 mm ou, o suficiente para cobrir a área do exame e filme periapical.

2 - Sempre ao realizar o exame, adotar um posicionamento que proporcione o foco primário direcionado para áreas o mais distante possível do corpo do paciente.

4 - Sempre utilizar filmes e químicos de maior rendimento, proporcionando a necessidade de menores doses de radiação para a realização do exame.

5 - Manter o controle de qualidade de câmara escura proporcionado eficiente vedação a luz natural. Caso a câmara escura seja de acrílico vermelho, e, esteja apresentando fog aumentado nos filmes, envolvê-la com algumas folhas de papel salofane cor vinho (vermelho escuro) que, mantém a transparência mas reduz a incidência de luz natural.

6 - manter os químicos reveladores sempre em tanques hermeticamente fechados evitando que vapores do fixador venha a contaminar o revelador reduzindo a sua eficiência, e também que, o revelador evapore perdendo a eficiência necessitando maiores doses de radiação para impregnar o filme com as imagens objeto de diagnóstico.

7 - Uma Sugestão: utilizar como tanque de revelação de filme periapical, frascos baixos e de boca larga com tampas de rosca. Que propiciará a possibilidade de seu fechamento sempre que termine sua utilização.

 

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- Mensagem Original-

Adorei seu trabalho!!!  Vc deve ter muito material de pesquisa, muitas coisas interessantes!!.... Isso é fantástico!!...  Quero te dar os PARABÉNS!!!.... Vc é Técnico em Enfermagem, que legal, eu também sou, mas não exerço a função.....  Meu amigo, vou tomar a liberdade de tirar uma dúvida com vc, sobre Radioterapia.

Meu pai tinha câncer nos gânglios linfáticos, então foi preciso fazer o uso da Radioterapia por mais ou menos 1 mês, três vezes por semana. Foi feita uma mascára especial, porque os gânglios da região do pescoço não diminuiram com a químio. Mais ou menos na 2 semana, o pescoço dele estava abrindo ferida, quando terminou estava super feio o pescoço dele, custou a cicatrizar, o médico disse que era normal, que era efeito da Radioterapia.

Agora me conte uma coisa, precisava de abrir ferida como foi???      Foi uma queimadura não foi???    A pessoa quando tem câncer ela precisa passar por essa queimadura???    Não tem uma maneira menos dolorosa???     Porque o tratamento de câncer ao todo é muito doloroso!!!  Eu só sei de uma coisa, é muito triste, ver uma pessoa que amamos, sofrer tanto!!!

Andréia

- Resposta -

Fico feliz em saber que também já esteve na área da Saúde, pois, apesar de pouco remunerada, nos trás muita satisfação e realização pessoal, principalmente ao ver nossos pacientes voltando a ter uma vida normal após as vezes graves problemas. Mas, sou Técnico em Radiologia.

Quanto a seu Pai, sinto pelo sofrimento dele, mas, também já vi, alguns casos até mais que doloroso, transcendendo para a crueldade. E entre estes, já vi pessoas que perdeu a mandíbula e teve que esperar cicatrizar para fazer cirurgia plástica (tirar parte de um osso, normalmente da costela para fazer nova mandíbula).

Quanto a ferida, realmente pode ser normal dependendo da dose recebida, pois, tanto recebe impacto a matéria a ser tratada, como a matéria que se interpõe. E na realidade, a parte externa ou seja a pele principalmente, é que recebe as maiores doses.

Quanto a outras hipóteses, não sei se é o caso que poderia ser aplicado a seu pai, mas já existe a irradiação com sementes de ouro radioativo, onde, uma pequena quantidade é depositada cirurgicamente dentro da área a ser tratada. Neste caso, os efeitos na área externa do tumor é mínima, pois, a matéria inserida, é calculada pelo tempo de ação e extensão a ser tratada, preservando muito as áreas próximas. Mas, como inconveniente, existe poucos profissionais aplicando esta técnica, principalmente, pelos custos que são bastante elevados em comparação a cobaltoterapia, e que eu saiba, (no interior do estado de São Paulo onde tive mais contato), um dos poucos locais que fazem esta aplicação, é a Radioata em Araçatuba, que tem um Físico-médico que foi residente do hospital do câncer em SP e um Médico Oncologista com mais de 25 anos de Profissão em Hospitais Oncológicos da capital, um pioneiro em tratamentos radioterápicos em oncologia.

Nota: se um dia por ventura precisar de irradiar a região do pescoço e principalmente da boca, a primeira coisa sensata a fazer, é extrair todos os dentes antes de fazer as aplicações para evitar problemas futuros.

Rezende

- Opinião de Especialista -

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